Quero saudar fraternalmente todos os eleitores que votaram na minha candidatura. Todos os eleitores que venceram os apelos à resignação, que não soçobraram perante a chantagem do medo e que sem ceder a desânimos não desistiram de expressar convictamente o seu voto na minha candidatura.
Sabemos que o povo português vai ter de enfrentar grandes ameaças e desafios, mas também sabemos com quem podemos contar para os enfrentar com a coragem que é necessária.
Fizemos uma campanha de que só temos de nos orgulhar.
Quero, por isso, enviar um abraço muito fraterno aos militantes do PCP, aos militantes do PEV e aos democratas sem filiação partidária que se associaram a esta campanha e que com o seu apoio e a sua presença deram um exemplo de participação cívica e de mobilização pela democracia, em defesa da Constituição e de afirmação dos valores de Abril.
Foi uma campanha honesta, de verdade, feita com elevação, convictamente empenhada na valorização do debate democrático, afirmando com clareza e frontalidade o que queremos para o País e para o exercício do mandato presidencial, uma campanha que optou pelo lado do trabalho e dos trabalhadores, uma campanha centrada na defesa e cumprimento da Constituição e da afirmação dos valores da Revolução de Abril.
Assumi-me como o candidato dos trabalhadores e fizemos uma campanha de contacto intenso com os trabalhadores, de solidariedade para com as suas lutas, rejeitando o pacote laboral e reivindicando melhores salários para quem trabalha e melhores reformas e pensões para quem trabalhou uma vida inteira. Fizemos uma campanha com os jovens e para os jovens, reivindicando com eles o fim das propinas no Ensino Público, condições para obter os graus mais elevados de ensino, carreiras profissionais valorizadas e políticas de acesso à habitação que não obriguem os jovens portugueses a ter de emigrar para ter um futuro de acordo com as suas aspirações legítimas.
Fizemos uma campanha centrada nas preocupações reais das pessoas, certos de que a resolução dos graves problemas que afetam a larga maioria da população só serão resolúveis se houver uma mudança no rumo político do País, com políticas de esquerda, de sentido progressista, de rutura com o consenso neoliberal, no caminho apontado pela Constituição e com a convicção da necessidade de eleger um Presidente da República determinado a exercer os seus poderes constitucionais com esse objetivo.
O resultado obtido pela minha candidatura ficou aquém do que Portugal precisa e não permite alimentar a ideia de que o resultado destas eleições se traduza na expressão da vontade de mudança, de um novo rumo de sentido progressista para a política nacional.
O resultado da primeira volta destas eleições significa que não haverá nos próximos cinco anos um Presidente da República determinado em enfrentar a política de direita e os interesses do grande capital que comandam a vida do País nem em fazer prevalecer a Constituição sobre a ofensiva que está em curso, e se intensificará, contra os direitos económicos e sociais nela consagrados.
Em face do pacote laboral que o Governo PSD/CDS pretende levar por diante, da degradação do Serviço Nacional de Saúde que está em curso, da negação do direito à habitação, dos ataques que se vão intensificar contra os direitos sociais consagrados na Constituição, o povo português terá de encontrar a força necessária para lutar contra esses propósitos reacionários. Pela nossa parte, faremos parte dessa força.
O povo português vai enfrentar tempos exigentes. Estaremos convictamente ao seu lado, na luta pelos seus direitos, sem qualquer desânimo ou vacilação, e desde já com o seu pronunciamento na 2.ª volta destas eleições presidenciais.
A partir de amanhã estaremos cá com a mesma determinação e coragem com que fizemos esta campanha e com que estamos hoje, com a consciência tranquila, e com a convicção de ter cumprido o nosso dever para com os trabalhadores, o povo e o País.
Muito obrigado.







