Já sabíamos de antemão que ao Chega não interessa o debate sério sobre as soluções para os problemas da vida das pessoas. Discutir os obscenos lucros dos grupos económicos e o que deles podia reverter para responder aos problemas dos trabalhadores e das populações, não faz parte da sua agenda.
O que vos interessa é atirar as atoardas do costume para dividir o povo, pôr trabalhadores contra trabalhadores, para facilitar o ataque aos seus direitos e potenciar a sua exploração.
O Chega é o campeão da promoção do racismo, da xenofobia, da discriminação, e até do incitamento à violência, em função da cor da pele, das características físicas ou do País da origem.
Invocam a liberdade de expressão para tentar normalizar e legitimar o racismo e a xenofobia. Uma coisa é a liberdade para exprimir uma opinião, um pensamento ou uma posição, e muito lutámos para podê-lo fazer livremente sem ser perseguido ou criminalizado, coisa bem diferente é um discurso racista e xenófobo, que visa diminuir e humilhar o outro.
As expressões de racismo e de violência, que infelizmente têm vindo a ganhar mais espaço, não estão dissociadas da promoção de projetos e de forças retrógradas e reacionárias, da propagação de conteúdos e de discursos racistas e xenófobos, que muitas vezes incentivam a intolerância e a violência, e geram desconfiança e insegurança sem nenhuma razão de ser, só porque é diferente. Não estão dissociados do fomento do individualismo, do medo e do isolamento, da mentira e do preconceito, da intolerância, da quebra de laços de solidariedade.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
Não é admissível a humilhação ou a menorização de seres humanos, em que circunstância for.
Não pode haver nenhuma complacência com o racismo e a xenofobia, onde quer que seja.
E também aqui, a Assembleia da República deveria ser um exemplo na garantia do cumprimento dos princípios constitucionais, da igualdade entre todos os cidadãos independentemente da etnia, origem, nacionalidade, identidade, sexo, orientação sexual, religião, condição económica. Não são letra morta, são para ser respeitados e cumpridos.
Não se pode admitir a normalização do racismo e da xenofobia, nem a sua desculpabilizando, procurando encontrar justificações para o que não é justificável.
Esta obsessiva agenda do Chega não é por acaso.
Por um lado, querem desviar o foco dos verdadeiros responsáveis pelo aprofundamento das desigualdades, das injustiças e do empobrecimento. É que enquanto exacerbam o conflito entre as pessoas, mantém os grupos económicos incólumes, para continuar a amealhar chorudos lucros a partir da apropriação da riqueza criada pelos trabalhadores. Os mesmos grupos económicos a quem são subservientes, de quem dependem e a quem verdadeiramente servem.
Por outro lado, querem ocultar o seu compromisso com a política de direita responsável pelos problemas do País, nomeadamente os baixos salários, as baixas pensões, as dificuldades no acesso à habitação, a degradação dos serviços públicos, com destaque para o Serviço Nacional de Saúde e para a Escola Pública. Compromisso com a política de direita de desinvestimento no País e das privatizações, cujos resultados estão à vista seja na ausência de meios e instrumentos do Estado para intervir na energia e nas telecomunicações, seja na degradação de infraestruturas públicas, como contatámos agora na sequência das tempestades que afetaram o País.
Agitar o medo, fazer uns vídeos com umas frases bombásticas, eis o real objetivo deste debate, aproveitando-se do justo descontentamento das pessoas, não para resolver algum problema, mas para garantir a perpetuação de um sistema económico que explora e que mata.
Enfim, o Chega agenda um debate, fala, fala, fala, mas mais uma vez, nem uma proposta concreta, nem uma solução para resolver o problema das dificuldades da vida das pessoas, nada. É o habitual! Aliás muito elucidativo do seu oportunismo e hipocrisia, mas sobretudo muito elucidativo do seu alinhamento com os responsáveis pela situação a que o País chegou!
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
O racismo e a xenofobia têm uma natureza de classe e são instrumentos do capitalismo para manter o seu domínio. O combate ao racismo e à xenofobia é parte integrante do combate à exploração e às desigualdades. Combate-se o racismo e a xenofobia quando se luta pelo aumento dos salários e pelos direitos de todos os trabalhadores; quando se defende o direito à habitação para todos, quando se luta pela saúde e pela educação. A luta contra o racismo e a xenofobia é a luta de todos os que aspiram a uma sociedade solidária, de progresso e de paz.







