Intervenção de Paulo Raimundo na Assembleia de República, Reunião Plenária

Deputados e partidos terão de decidir: Estão com os trabalhadores ou com o pacote laboral do Governo?

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Agora é a hora da verdade, cada deputado e partido terá de decidir se vota contra ou apoia ainda mais precariedade, ainda mais desregulação de horários e da vida, ainda mais pressão sobre os salários, liberalização dos despedimentos ou o trabalho extraordinário não pago com o banco de horas.

Cada deputado e partido terá de decidir se vota contra ou apoia um pacote laboral inequivocamente rejeitado pelos que já hoje enfrentam grandes dificuldades nas suas vidas com salários baixos, os que já hoje vivem entre contrato a prazo, desemprego, trabalho temporário, falsos recibos verdes, trabalho à peça, que já hoje enfrentam longas, contínuas e desreguladas jornadas de trabalho. 

Cada deputado e partido terá de decidir se está com os trabalhadores ou com o governo e com os que se acham donos disto tudo. 

Não aceitamos as armadilhas para onde querem empurrar os trabalhadores.

A armadilha de pôr nas costas de quem trabalha muito e muitas horas, a responsabilidade da produtividade e da competitividade; a armadilha do tem de ser, quando não há nada que obrigue ou justifique ter de optar entre um ataque brutal ou um brutal ataque aos trabalhadores.

Aliás a solução para este falso dilema é simples, votar contra e cortar o mal pela raiz. 

A armadilha do “querem que tudo fique na mesma”. 

Se há quem sabe por experiência própria que é urgente a ruptura e mudança com a actual situação, são mesmo os trabalhadores. 

É por isso que exigem, o aumento dos salários e uma mais justa distribuição de uma riqueza que são eles que criam.

É por isso que exigem, “trabalho igual, salário igual”, pondo fim à discriminação salarial, que atinge a juventude e de forma particular as mulheres;

É por isso que exigem, que a uma necessidade de trabalho permanente corresponda um contrato efectivo de trabalho, pondo fim à precariedade a que estão sujeitos milhares e milhares de trabalhadores.

É por isso que exigem valorização, carreiras e o fim do SIADAP.

É por isso que exigem a redução do horário de trabalho num tempo de tanta evolução tecnológica mas onde há quem queira que se trabalhe ainda mais horas.

Os trabalhadores não querem que tudo fique na mesma, pelo contrário querem respeito, dignidade, direitos e uma vida justa, tudo ao contrário de um pacote laboral inspirado no século XIX, que não resolve nenhum problema e agrava ainda mais a situação.

Nada disto serve o país, os trabalhadores e a juventude, o único caminho possível é a sua derrota e para isso é preciso votar contra.

Os direitos e a vida dos trabalhadores não estão à venda, nem moedas de troca de nada, muito menos de negociatas e manobras. 

Quem viabilizar o pacote laboral, é responsável por cada um dos ataques e os trabalhadores tirarão as conclusões dessa opção.

E quem pensa que o processo termina amanhã, deve saber que a luta dos trabalhadores vai continuar, e que não os vão largar até à derrota do vosso pacote laboral.

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