O CDS/Partido Popular bem pode estender este rol de intenções piedosas e proclamações de desvelo pela família e urgências de natalidade.
Mas a verdade é que não nos engana…
Este é o mesmo CDS que, há uma semana, votou contra – com a demais direita e a abstenção do PS – mais um projecto do PCP para o reforço do abono de família pré-natal, a reposição de escalões e a universalização do abono de família a todas as crianças.
Ora, senhor deputado, defender a natalidade e a família é garantir aos trabalhadores as condições para que possam desejar ter filhos sem quaisquer receios.
É garantir aos jovens emprego com direitos, salários justos; combater a precariedade, que já atinge a maioria dos trabalhadores jovens.
É garantir tempo para viver aos casais, combater a desregulação dos horários que atinge mais de dois milhões e setecentos mil trabalhadores.
Senhor deputado, o que responde às centenas de milhar de famílias afetadas pelo roubo de vida para viver, crianças que só espaçadamente veem os pais juntos, casais que se encontram apenas amiúde?
Defender a natalidade e a família é garantir o direito à habitação, com habitação pública, controlo dos preços das rendas e das prestações bancárias.
O que propõe o CDS/PP quando os preços das casas continuam a aumentar – quase 18% no primeiro trimestre deste ano?
Quantas famílias podem pagar uma casa a quase 2 200 euros por metro quadrado – em média, 260 mil euros por fogo, mais cem mil do que há cinco anos?
Ora, as políticas do Governo PSD/CDS empurram as famílias para terem apenas um filho – e cada vez mais tarde.



