Senhor Presidente,
Senhores deputados,
Com o seu projeto de resolução, o CDS que está no Governo vem dar ao Governo um recado do patronato para, recuperando de mansinho o pior do seu derrotado pacote laboral, criar as condições para intensificar a exploração dos trabalhadores mais velhos.
O engodo de prolongamento da vida ativa com reforma a tempo parcial é um meio de prolongar a exploração passiva de quem tem uma vida inteira de trabalho mal pago.
Não há aliás, nestes projetos, uma palavra sobre a necessidade de aumento dos salários e das pensões de miséria, ou as medidas necessárias para melhorar as condições de vida dos idosos, reformados e pensionistas.
Este é o mesmo CDS que rejeita os projetos do PCP para a garantia de apoios ao envelhecimento saudável, nos cuidados de saúde primários, no acesso à atividade física e desportiva, ao recreio e à cultura, à criação de centros de dia, universidades sénior e outras estruturas, de programas de turismo sénior e de ocupação dos tempos livres.
É o mesmo CDS que rejeita a atualização decente das reformas e pensões, mas afadiga-se a aprofundar o modelo de baixos salários e de pensões baixíssimas.
O CDS está tão obcecado com a sua missão histórica e com os mitos de se nutre que baseia o seu projeto na mentira do “modelo rígido” segundo a qual os trabalhadores deixam de exercer a sua atividade ao atingirem a idade legal de reforma.
Ou o CDS não sabe que, por sua vontade, os trabalhadores podem manter-se ao serviço após a idade legal de reforma, ou quer enganar-nos para levar a água ao moinho do patronato, embora não esconda ao que vem.
“Este modelo”, escreve o CDS, “nem sempre reflete as preferências e necessidades individuais dos contribuintes, nem otimiza os recursos humanos disponíveis na economia”.
Com a crueza das expressões usadas – “contribuintes” e não trabalhadores; “recursos humanos” e não pessoas –, o CDS desumaniza o seu alvo, faz de conta que as “necessidades individuais” a que se refere não resultam diretamente de um pesado histórico de trabalho duro e mal pago e de pensões de baixíssimo que esperam os reformados.
O pressuposto de “otimização dos recursos humanos disponíveis na economia” é um eufemismo cínico que significa prolongamento da exploração de trabalho barato.
Num tempo em que os avanços técnicos permitem libertar tempo para que os mais velhos tenham mais tempo para os netos e a família e para que possam ter vida no lazer, na cultura e no desporto, o CDS não lhes concede nem mais um minuto.
Infelizmente, não está só nesta casa.
Não conta com o PCP. Cá estamos para dar-lhe luta!







