A clara derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares nos EUA, nomeadamente com a perda da maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, é expressão do amplo descontentamento e repúdio por parte de diversos sectores da sociedade norte-americana face à política reaccionária e belicista da Administração Trump e às suas nefastas consequências.
Desde logo, o repúdio da sua política interna, com uma clara marca de classe e racista, com o agravamento das condições de vida, os cortes nos já diminutos serviços sociais em contraste com as grandes benesses ao grande capital e os colossais gastos com o armamento e a guerra, com a exploração a que estão sujeitos os trabalhadores, a violenta repressão sobre camadas populares cada vez mais empobrecidas e o obsceno enriquecimento da classe dominante multimilionária. Repúdio que se estende à sua política belicista, em particular à agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão, ao continuado apoio dos EUA ao genocídio levado a cabo por Israel na Palestina, ou à sua ofensiva fascizante e agressiva contra numerosos países da América Latina, nomeadamente contra Cuba. Pelo seu significado, esta derrota de Trump constitui um revés para os intentos das forças mais reaccionárias e fascizantes, com impacto para além dos EUA.
Recorde-se que, em 2024, Trump e os Republicanos obtiveram uma expressiva vitória eleitoral, cavalgando o profundo descontentamento social e político, a rejeição da conivência de Biden e dos Democratas com o genocídio do povo palestiniano e as consequências no plano interno da política de escalada de guerra na Ucrânia. Dois anos de Presidência Trump, com o rasgar das promessas eleitorais que o conduziram à vitória, tornaram evidente que as esperanças de mudança que largos sectores da sociedade norte-americana haviam depositado em Trump não passavam de uma ilusão.
Importa porém ter presente que quem realmente comanda a política dos EUA são o grande capital financeiro, o complexo militar-industrial, as grandes empresas tecnológicas e os monopólios da comunicação social. E que, globalmente considerados, Democratas e Republicanos têm sido variantes da política do imperialismo norte-americano. No entanto, o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo está a acentuar clivagens e contradições no seio das classes dominantes das potências imperialistas e também a aprofundar o descontentamento popular que se tem expressado crescentemente. A crise profunda dos EUA irá previsivelmente agravar-se em múltiplos planos. Só uma forte mobilização e resistência popular de massas nos EUA poderá romper com a actual política e abrir a perspectiva de um outro rumo que dê resposta aos direitos e aspirações do povo norte-americano.
Perante os resultados das eleições intercalares nos EUA, a luta contra as pretensões do imperialismo norte-americano de domínio mundial não só não pode ficar na expectativa, como se coloca a exigência do seu prosseguimento e ampliação, nomeadamente da solidariedade com a luta dos povos que resistem às ameaças, à ingerência e à agressão do imperialismo, desde logo com a Palestina e Cuba, assim como da luta pela paz, contra o militarismo e a guerra.



