As conclusões do Conselho Europeu de 18 e 19 de Junho confirmam, uma vez mais, uma orientação profundamente contrária aos interesses dos trabalhadores e dos povos: mais militarização, promoção da corrida armamentista, instigação da guerra, subordinação aos EUA e à NATO e persistência nas políticas que agravam as injustiças e as desigualdades, enfraquecem e atacam os serviços públicos, transferem recursos para os grupos económicos e condicionam a soberania de Estados.
Sobre a degradação das condições de vida dos trabalhadores e dos povos, marcada pelo aumento do custo de vida, as dificuldades no acesso à habitação, a perda de poder de compra, apenas declarações vagas e promessas sem conteúdo, sem qualquer compromisso político ou medida concreta.
Já quando se trata da militarização e da guerra, as conclusões são inequívocas. O Conselho Europeu congratula-se com o aumento das despesas militares, exige que se gaste mais e mais depressa, reclama o reforço da produção de armamento e condiciona a investigação, a inovação, a indústria e o financiamento público aos objectivos do militarismo, designado de “prontidão da defesa”. Apesar das invocações da paz, os recursos, os instrumentos e as decisões continuam orientados para o prolongamento da guerra na Europa a todo o custo.
Disso são elucidativas as conclusões do Conselho Europeu relativamente à guerra que se trava na Ucrânia, aliás na sequência da declaração do G7, da cimeira de Evian. Apesar das referências à paz e à necessidade de negociações, as decisões tomadas continuam orientadas para o objectivo do prolongamento da guerra, obstaculizando uma solução política negociada, persistindo numa estratégia que prolonga o conflito, aumenta o sofrimento e alimenta o sério risco de uma ainda maior confrontação com gravíssimas consequências.
O próximo Quadro Financeiro Plurianual, que foi brevemente discutido nesta reunião, confirma esta orientação profundamente errada. O Conselho Europeu pretende acelerar a obtenção de um acordo relativamente aos orçamentos para 2028-2034, mas nada diz contra os cortes de verbas que atingem a agricultura, as pescas e a coesão, nem contra a redução financeira dos instrumentos destinados ao emprego, ao combate à pobreza e ao desenvolvimento regional. A própria proposta da Presidência cipriota, recentemente apresentada, não só não altera o essencial da proposta da Comissão Europeia quanto à estrutura do próximo orçamento plurianual, como mantém estes cortes. Ao mesmo tempo, aumentam as verbas para o militarismo e a guerra.
Sob o pretexto da simplificação, da redução de encargos e do aprofundamento do Mercado Único, a chamada agenda para a “competitividade” pretende avançar com mais desregulação, maior concentração de empresas e de riqueza e novas transferências de recursos para os grupos económicos.
Relativamente à situação no Médio Oriente, o Conselho Europeu continua a não condenar a agressão militar dos EUA e Israel ao Irão, nem a ocupação e o bombardeamento do Líbano por Israel. Apesar das graves consequências dessas agressões militares, dramaticamente expressas nos milhares de mortos e feridos, em mais de um milhão de deslocados no Líbano e na destruição de infraestruturas civis, o Conselho Europeu repete a propaganda da
administração norte-americana quanto aos falsos pretextos invocados para a sua realização e oculta a responsabilidade dos EUA e Israel pela desestabilização de toda a região, bem como pelos efeitos dela decorrentes que fazem recair sobre os povos de todo o mundo o aumento dos preços da energia, dos combustíveis, dos fertilizantes e outros bens, provocando o aumento do custo de vida.
Quanto à Palestina, as conclusões evidenciam novamente a hipocrisia e a cumplicidade da União Europeia com a criminosa política de ocupação, colonização e de genocídio de Israel. Reconhecendo a catástrofe humanitária que se vive na Faixa de Gaza, bem como as violações do direito internacional, a expansão ilegal dos colonatos e os abusos cometidos por Israel, o Conselho Europeu continua a não adoptar as medidas que se impõem, nomeadamente a suspensão do Acordo de Associação UE-Israel e o reconhecimento do Estado da Palestina, conforme as relevantes resoluções da ONU.
Estas conclusões confirmam uma União Europeia cada vez mais orientada para a militarização, a guerra, e a defesa dos interesses dos grupos económicos, em detrimento da paz, da soberania dos povos, do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida.




