Senhor Presidente, Senhora Comissária, os agricultores têm razões para protestar contra o Mercosul, e a Comissão Europeia devia ouvir essas razões. Os agricultores protestam porque esse acordo significa uma ameaça de liquidação de dezenas de milhares de explorações agrícolas familiares, de redução dos rendimentos dos agricultores, de abandono acelerado da produção, de agravamento da dependência alimentar.
Essas consequências são dramáticas na agricultura, mas são-no também na indústria e nos serviços, particularmente para os pequenos e médios produtores, que, orientados para o mercado interno, podem ser ameaçados com uma concorrência que lhes é desfavorável.
Apesar de o acordo ter sido assinado no dia 17, o momento não é de atirar a toalha ao chão, e a proposta que fazemos é a de que se atue em três sentidos: primeiro, suspender a decisão de entrada em vigor provisória do Acordo Mercosul; segundo, pedir aos parlamentos nacionais que se pronunciem sobre esse acordo, seja através do processo de ratificação, seja através de outros instrumentos legais; e, em terceiro lugar, não avançar com o processo do Mercosul, na sua regulamentação ou na sua aplicação, sem que haja essa ação dos parlamentos nacionais para defender os agricultores e os restantes setores produtivos.



