O Projeto de Resolução que o PCP apresenta, pelo investimento nos terminais de transportes rodoviários e melhoria do serviço às populações, surge verdadeiramente “contra a corrente”, face às restantes propostas.
Os diplomas propostos pela IL, pelo PSD, pelo Chega e pelo Livre apontam, no fundamental, para os mesmos objetivos: levar mais longe as políticas de liberalização do transporte de passageiros que trouxeram o país à desgraçada situação que temos.
Para o PCP,
«É visível a operação em curso que visa levar por diante uma total cedência aos interesses da multinacional Flixbus sobre os terminais rodoviários, num contexto de liberalização do sector e de tentativa da sua captura por essa multinacional.»
Em larga medida, poderíamos afirmar que este debate, assim como as propostas apresentadas no mesmo sentido, constituem uma etapa desse processo.
Coloca-se no altar a sacrossanta concorrência. Glorifica-se a atuação predatória das multinacionais. Renega-se o investimento e a garantia de condições mínimas para quem utiliza os terminais e interfaces. Sacrifica-se o serviço público e as populações, particularmente das regiões do interior.
O PCP não alinha nesse coro, porque os problemas concretos das pessoas – sejam os passageiros, sejam os trabalhadores do transporte rodoviário – exigem outra política para este sector.
Especialmente no que à gestão e ao planeamento dos interfaces e terminais rodoviários diz respeito, é preciso seriedade no debate e respeito pelas populações.
Estamos perante o que deveria ser (e funcionar como tal de facto) como uma rede de infraestruturas e equipamentos coerente e articulada.
Mas corresponde na verdade a uma multiplicidade de instalações, que carece globalmente de investimento para melhorar intermodalidade, conforto, segurança; onde faltam trabalhadores; onde se verifica o contraste na resposta entre zonas solventes e outras, sobretudo no interior do país, sujeitas ao abandono.
Aliás, a falta de investimento é inseparável da liberalização e privatização que atingiu o sector.
Por isso o PCP defende uma outra abordagem para os interfaces rodoviários do nosso país: uma intervenção sistemática e estruturante destes equipamentos, com especial enfoque a duas questões:
- A intermodalidade, desde logo com a rede ferroviária nacional; e
- As condições de utilização pelos passageiros e trabalhadores (informação disponibilizada, condições de segurança e conforto, entre outras matérias).
Há que resistir à política liberalizante da União Europeia, ao invés de a seguir cegamente. Há que investir em terminais rodoviários, e principalmente rodoferroviários, de qualidade.
Mas esse investimento, necessariamente público, deve ser realizado para melhorar a oferta de transporte públicos à escala nacional, e não apenas para rendibilizar os negócios e maximizar os lucros distribuídos pelas multinacionais.
Esta não é apenas uma questão de mercado – é um fator de coesão nacional.







