Uma saudação a todos os delegados e convidados presentes.
Se é verdade que a situação quer no plano nacional quer internacional é exigente e os desafios são muitos e grandes, também é verdade que, com os pés no chão e tendo bem presente a realidade em que intervimos, temos razões acrescidas para hoje daqui sairmos com redobrada confiança de que é possível e é preciso um PCP mais forte.
Como se afirma no lema da Assembleia, aqui estamos com iniciativa, a reforçar o Partido e a responder às exigências do presente e do futuro.
Esta Assembleia que agora encerramos não se iniciou hoje.
Na realidade começou há quatro anos atrás e esteve presente na intensa iniciativa destes últimos anos, esteve nas lutas desenvolvidas, nos locais de trabalho e mais recentemente contra o pacote laboral, mas também nas lutas das populações por mais e melhores serviços públicos, esteve em cada acto eleitoral que travámos, teve andamento nos momentos bons e nas dificuldades, esteve e está presente na entrega, no esforço e na militância de todos e de cada um dos militantes do Partido.
Fizemos tudo o que fizemos e fomos onde fomos, porque somos como somos, este extraordinário colectivo partidário.
E foi assim que preparámos a Assembleia e nesta última fase de forma mais intensa com toda a discussão que foi desenvolvida e o envolvimento dos membros do Partido, num processo de construção colectiva e ligados à vida.
Aqui hoje fizemos o retrato da situação da região mas não ficámos pelos balanços e caracterizações.
Elegemos uma nova direcção regional que saúdo e, de forma particular, os 11 novos camaradas que entram, e deixo uma palavra para os que agora saem.
Mudam as vossas tarefas e responsabilidades, mas não muda o compromisso, o Partido e os trabalhadores precisam da vossa iniciativa, acção e luta.
Aprovámos uma nova resolução política, temos assim o guião da nossa acção política para o distrito, as linhas de trabalho, os objectivos de acção, as propostas para a região.
Responder às necessidades da região e acima de tudo à vida e aos problemas de todos aqueles que aqui vivem e trabalham, dos que são alvo de opções e políticas erradas, travar a desastrosa política em curso, abrir caminho para a alternativa política que se impõe, reforçar o Partido, é isto que temos agora de fazer.
Um trabalho de grande exigência, para o qual todos e cada um estão convocados.
Todos somos poucos, é preciso por isso que cada um, dentro das suas possibilidades, dê mais um pouco e precisamos de mais gente, mais militantes, mais lutadores organizados.
É tudo muito exigente mas simultaneamente desafiante. Mas aqui está este Partido com 105 anos, com a coragem de sempre para enfrentar os que se acham donos disto tudo.
Os trabalhadores, as populações, os agricultores e pequenos empresários, os estudantes e a juventude do distrito de Viseu precisam que o seu Partido seja mais forte e cumpra o seu papel e mobilize para as soluções que se impõem.
Uma luta que se trava em várias frentes, muitas vezes locais mas com impacto quer na vida das pessoas, quer no plano político mais geral.
Quando lutamos pelo regresso do comboio a Viseu, a maior cidade da Europa sem transporte ferroviário, estamos também a lutar pela rede ferroviária nacional e contra a intenção de privatizar as linhas rentáveis da CP.
Combater a privatização da CP é exigir que o comboio regresse a Viseu.
Quando o Governo entrega as linhas que dão dinheiro à gula privada, está a impedir que haja recursos para sustentar todo o resto da rede ferroviária.
Quando exigimos, e bem, a requalificação e duplicação do IP3, sem portagens, estamos a responder às necessidades da população mas também a exigir coesão territorial e a valorização do Interior.
Quando colocamos com grande preocupação a situação da Estrada Nacional 222 que depois das intempéries está em condições deploráveis, estamos preocupados com a circulação mas também com o negócio da cereja.
Quando valorizamos os importantes núcleos das indústrias metalomecânica, automóvel, agro-alimentar, da madeira ou do têxtil que aqui existem, estamos a responder a um dos grandes desafios que o País enfrenta, o da produção.
Portugal pode e tem de produzir mais, pode e deve produzir mais alimentos, medicamentos, pode e deve ter uma produção orientada para a criação de valor assente no investimento público, no conhecimento, na ciência e na investigação e que valorize aquilo que é a grande realidade do tecido empresarial, as micro, pequenas e médias empresas.
Tudo ao contrário do caminho político em curso, um caminho que se verga aos interesses dos grupos económicos, em vez de transferir milhões de recursos públicos para as grandes empresas, como está a acontecer com a descida do IRC e os benefícios fiscais.
Quando identificamos os problemas nas escolas aqui no distrito estamos também a defender a Escola Pública e a valorizar os professores, os auxiliares e restantes profissionais.
Quando identificamos e não toleramos as dificuldades no acesso à saúde, as fragilidades no transporte não urgente de doentes, as intermináveis deslocações para consultas e exames, a concentração e encerramento de serviços, quando sairmos à rua no próximo dia 21 de Abril, estamos a exigir mais médicos, enfermeiros, mais técnicos, mais serviços, mais SNS e a travar o desmantelamento que está em curso e a transferência de recursos para os grupos privados do negócio da doença.
Quando aqui se refere a brutal dificuldade de aceder a uma casa para viver numa região onde os preços das casas subiram 87% em dez anos, estamos a denunciar também a opção de um Governo ao serviço da banca e dos fundos imobiliários.
Cada vez que o Governo toma medidas o preço das casas aumenta, cada vez que o Governo anuncia novos pacotes as rendas disparam, é esta a realidade de quem serve todos menos quem precisa de habitação.
Premeiam-se os fundos imobiliários, premeia-se a banca, premeia-se a especulação, e o direito à habitação, esse, está cada vez mais difícil.
Por muita que seja a propaganda a vida está pior para quem trabalha, para quem trabalhou uma vida inteira, para os que vivem dos seus pequenos negócios, a vida está pior para a juventude.
A vida está pior para todos aqueles para quem está a sobrar a factura e as consequências da guerra de agressão dos EUA e Israel ao Irão para a qual PSD, CDS, Chega e IL arrastaram o País.
PSD, CDS, Chega e IL tomaram a opção pela guerra e são responsáveis por cada cêntimo do aumento brutal e acelerado do custo de vida, na habitação, nos alimentos, na energia, no gás, nos combustíveis.
Os 50 cêntimos por cada litro de gasóleo também é culpa deles e neste caso do PS porque não tomam uma medida, uma medida que seja que também vá ao lucro e às margens especulativas que enchem os bolsos de uns poucos e esvaziam as carteiras de muitos.
E bem podem vir agora todos, cada um e à vez, derramar lágrimas de crocodilo, bem podem vir tentar sacudir responsabilidades e empurrar uns para os outros as culpas, mas não se livram de virem a ser julgados por aqueles a quem sobra a factura das suas decisões.
Falam e anunciam muito mas no fundo estão a tratar é da vida dos grandes e dos poderosos.
Os que acham que têm Portugal nas mãos, os tais que encaixaram 10 mil milhões de euros limpos de lucros no passado ano, os tais que vivem no seu pequeno mundo, numa bolha onde tudo brilha e as paredes estão forradas com capas da Economist, onde se fala dos bons negócios, se comparam números dos dividendos e dos lucros, onde cada euro a menos na vida do povo é brindado ao sabor do excedente orçamental.
Para os que vivem à sombra e à custa dos recursos públicos, dos benefícios e isenções fiscais, dos subsídios e das benesses de um Estado que tanto contestam na teoria mas do qual não prescindem.
Para esses, Portugal está melhor, as suas vidas estão melhor, os seus lucros estão como nunca estiveram.
Mas quanto mais têm mais querem e daí a obsessão de tentar impor o Pacote Laboral e para isso contam com todos os seus instrumentos.
Um deles e dos mais barulhentos e vocais é o Chega, esse mesmo Chega que já veio dar a garantia de apoio ao Pacote Laboral desde que se cumpram cinco condições: ter assento no Tribunal Constitucional; ter mais gente no Conselho do Estado; assentar arraiais no Conselho Superior de Magistratura; garantir a descida do IRC; aumentar o espaço mediático para o seu discurso demagógico, mentiroso, de divisão e de ódio.
Estas são as verdadeiras condições do Chega para aprovar o Pacote Laboral, tudo o resto é conversa.
Dizem os que querem impor o Pacote Laboral que é preciso uma lei moderna, que é isso que serve ao País.
Mas qual País? Só se for o país deles, porque no País de quem trabalha, ainda mais precariedade no trabalho, na vida e nos salários não tem nada de moderno e não faz bem a ninguém.
Dizem ainda que é uma necessidade da economia, que é fundamental para aumentar a competitividade e a produtividade.
As vidas, as contas e a economia de quem trabalha não se gerem com mais ataque aos direitos e aos salários.
Ainda mais precariedade, ainda mais desregulação dos horários de trabalho, ainda mais ataques aos direitos e aos salários dos trabalhadores, pode ser de facto muito apetecível para o patronato mas profundamente negativo para os trabalhadores.
Os trabalhadores, em particular as mulheres e os jovens, os principais alvos do golpe em curso, já perceberam o que está em causa e já rejeitaram o Pacote Laboral.
A força, a unidade e a luta dos trabalhadores desde logo com a greve geral, rejeitaram um pacote que não altera nada de negativo que já hoje existe na actual lei e tudo o que avança é para acrescentar ainda mais dificuldades.
Dêem as cambalhotas e façam as manobras que quiserem, mas os trabalhadores não vão aceitar mais ataque aos seus direitos.
O Pacote Laboral está rejeitado e é só mais um empurrão e o pacote vai ao chão.
Mais um empurrão nas empresas e locais de trabalho, mais um empurrão dia 17, todos em Lisboa na manifestação da CGTP.
Todos contra o Pacote Laboral e contra o custo de vida, todos a afirmar o caminho que serve aos trabalhadores: respeito, dignidade, salários, estabilidade e tempo para viver.
Todos a exigir que cada um dos direitos da Constituição para que a Constituição se cumpra todos os dias na vida de cada um é isso que faremos no 25 de Abril e no 1.º de Maio.
A situação é exigente e é por isso uma ainda maior necessidade dos trabalhadores, do povo e da juventude, um PCP mais forte.
Reforço do Partido a partir deste extraordinário colectivo partidário, exemplo de resistência, de militância, de empenho e de que a Assembleia é exemplo.
Construir mais Partido de forma integrada e dialéctica: mais Partido, mais luta; mais luta, nova gente para reforçar o Partido.
Construir e reforçar o Partido de forma audaciosa e arriscando, arriscando com outros da mesma forma que arriscaram com cada um de nós em determinada altura.
Reforçar o Partido a partir do Partido que temos.
Quantos somos, onde estamos e, acima de tudo, onde precisamos de estar e como lá chegar?
Qual a intervenção, qual a iniciativa das organizações, o que fazer para ir mais longe?
Reforçar o Partido, onde o Partido nasceu e não pode faltar, junto dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, e de forma particular junto da juventude.
Reforçar o Partido para o confronto ideológico, um confronto que se trava de forma intensa e com meios profundamente desiguais.
Com confiança e persistência, tomar a iniciativa pelo reforço deste Partido, que não anda ao sabor do vento, que não cede ao medo, à chantagem, à ameaça, à mentira, e que em nenhum momento abandona os trabalhadores, o povo e a juventude.
O Partido da liberdade, da democracia, da soberania e independências nacionais, o Partido dos valores de Abril.
O Partido assente na história, na cultura e na luta heróica do nosso povo, um Partido patriótico e simultaneamente internacionalista, um Partido anti-imperialista e solidário com a luta dos povos, solidário com a Palestina, solidário com Cuba Socialista.
O Partido com projecto e ideal, com luta, experiência e construção próprias.
O Partido ao qual nos orgulhamos pertencer.
Um orgulho que nos vem, como tão bem descreveu o camarada Álvaro Cunhal, da justa, empolgante e invencível causa por que lutamos.
Cá estamos para transformar o sonho em vida.
Cá estamos para cumprir o objectivo libertador dos trabalhadores, a sociedade nova, o socialismo e o comunismo.
Viva a JCP
Viva o PCP