Estimado Paulo Raimundo, Secretário-Geral do Partido Comunista Português, Estimados militantes do Partido Comunista Português e da Juventude Comunista Portuguesa, Convidados e participantes na 50.ª edição da Festa do Avante! Caros amigos portugueses.
Desde a Cuba bloqueada, que resiste às tentativas genocidas de asfixiar à Revolução sem renunciar à construção socialista, felicito-vos e dou-vos um abraço agradecido em nome do nosso Partido Comunista e do heróico povo cubano.
Obrigado, il vezes obrigado, pelas históricas e prolongadas demonstrações de solidariedade com o nosso país, particularmente nas difíceis circunstâncias actuais, quando estamos a enfrentar uma escalada criminosa da permanente agressão do governo dos EUA, o mesmo império que de forma arbitrária e politicamente manipulada tem definido a pequena, pacífica e solidária República de Cuba como uma ameaça inusual e extraordinária para a sua segurança nacional.
O acompanhamento do Partido Comunista Português ao nosso povo, ao Partido Comunista de Cuba e à Revolução, as suas declarações de apoio, as iniciativas a favor de Cuba e contra o criminoso bloqueio económico, comercial, financeiro e energético que nos impõe o imperialismo ianque, formam parte duma firme e indissolúvel relação de irmandade que nos honra.
Hoje, Cuba resiste heroicamente a uma ofensiva imperial que podemos classificar de genocídio silencioso. O povo cubano sofre diariamente as carências e dificuldades de um recrudescimento sem precedentes do bloqueio ianque, que afecta significativamente sectores chave do desenvolvimento, como a produção eléctrica, o turismo e a produção de alimentos, prejudicando de forma directa conquistas essenciais como a saúde e a educação.
Quero partilhar convosco, brevemente, alguns dos dados que ilustram esta difícil situação.
A cada dia deixam de se aproveitar 1400 megawats de capacidade instalada em grupos electrogeradores por falta de combustível, um défice que se traduz em apagões de mais de 20 horas.
Mais de 98 500 cirurgias programadas (12 mil das quais pediátricas), não se puderam realizar por falta de recursos e energia nos blocos operatórios. A 34 mil grávidas não se puderam realizar as indispensáveis ecografias pré-natais e 67 mil crianças não têm actualizados os seus sistemas de vacinação. Indicadores nos quais, historicamente, Cuba tem estado na vanguarda a nível mundial.
Debaixo de pressões e ameaças norte-americanas incompatíveis com a liberdade de comércio, retiraram-se do país várias empresas e navios, como consequência da perseguição às nossas importações. Mais de 7 mil contentores com carregamentos indispensáveis para sectores vitais encontram-se retidos em portos de países das Caraíbas e nenhuma das companhias que operam na área se atreve a desafiar a proibição imperial.
As duas ordens executivas de 29 de Janeiro e de 1 de Maio elevaram a tentativa de asfixia económica contra o país, a níveis até aqui nunca vistos, devido à aplicação das chamadas sanções secundárias de claro carácter extraterritorial que afectam a presença de empresas estrangeiras em sectores estratégicos para o desenvolvimento do país.
É por isso que, no espaço europeu, devem continuar a exigir a efectiva aplicação do Estatuto de Bloqueio, legislação [da União Europeia] estabelecida desde 1996, precisamente para enfrentar a extraterritorialidade dessas políticas unilaterais.
Faço um apelo a promover em todos os cenários possíveis a aplicação desta lei que oferece as garantias e a protecção que precisam as contrapartes, tanto portuguesas como de toda a Europa, para continuar a desenvolver projectos económicos de impacto no nosso país.
Caros companheiras e companheiros;
Apesar da pretensão genocida do império, Cuba não se rende!.
E hoje vou resumir-lhes essa decisão num único dado:
Este ano graduaram-se no país 30 185 jovens universitários, preparados e prontos para contribuir com os seus conhecimentos e esforços. Deles, 735 são provenientes de 62 países, incluindo médicos palestinianos e norte-americanos.
Outras provas da plena resiliência do povo cubano não poderiam resumir-se nas curtas palavras de uma saudação.
E expressa-se em cada dia de existência da nossa Revolução contra os desígnios de quem hoje se comporta como o dono do mundo e ameaça com fazer regressar a humanidade aos seus períodos mais obscuros.
Temos alertado e expressado em múltiplos cenários sobre os perigos que representam para Cuba, e para a região, esta escalada norte-americana e a ameaça crescente e aberta de uma agressão militar directa, o que constituiria uma violação da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e dos postulados da declaração da América Latina e das Caraíbas como zona de paz.
Cuba é um país de paz!
Que de nenhuma forma representa qualquer ameaça para essa superpotência nuclear, mas se se atrevessem a invadir-nos, garanto-lhes que defenderemos a nossa terra até à última gota de sangue.
Hoje, mais que nunca, é necessário que levantem as suas vozes por Cuba, pela defesa da nossa soberania, da nossa independência, e do nosso legítimo direito à livre determinação e ao desenvolvimento.
O líder da Revolução cubana, Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz, cujo centenário sei que também comemorarão nesta Festa, deixou dito em 1961, e passo a citar: «O que não podem perdoar-nos os imperialistas é que estejamos aqui. O que não podem perdoar-nos os imperialistas é a dignidade, a integridade, o valor, a firmeza ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo de Cuba.»
Vivam os nossos partidos comunistas!
E vivam os nossos heróicos povos!Abaixo o imperialismo ianque!
Pátria ou morte. Venceremos!


