Uma grande saudação a todos os presentes nesta grande iniciativa, promovida no âmbito do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) – A Esquerda no Parlamento Europeu.
Permitam-me uma saudação especial a Clare Daly, a José Ramón Saborido Loidi, a Omar Mih e a Shawan Jebreen, obrigado pela vossa presença e pelas vossas intervenções, obrigado por nos trazerem as vossas lutas, lutas que são também as nossas lutas.
Levem convosco a solidariedade do PCP com a luta que travam em prol dos vossos povos, levem também daqui a luta que travamos em Portugal por melhores salários e pensões, por melhores condições de vida, em defesa do direito à habitação, à saúde, à educação, de todos os direitos, uma luta que só está completa quando acompanhada pela luta pela paz, a solidariedade internacionalista, a causa da justiça e igualdade no mundo.
Sabemos que salários, direitos, paz, estão no centro da investida neoliberal, do capitalismo e do imperialismo.
Sabemos que os que fazem a apologia do militarismo, do aumento dos gastos com os armamentos, da guerra, são os mesmos que querem impor o agravamento da exploração, das injustiças e desigualdades sociais, os mesmos que atacam as liberdades e direitos democráticos, os mesmos que reprimem quem lhes faz frente, e que são autênticos megafones das concepções e forças reaccionárias e fascizantes.
Sabemos o que querem e sabemos a resposta que temos e lhes estamos a dar.
E daqui deixamos uma saudação à resposta dos trabalhadores, das populações, dos estudantes e da juventude, uma resposta que se traduz em grandes acções de luta e mobilização por diversos países, desde logo na Europa, essa luta que, a partir das realidades e condições concretas em cada país, enfrenta a política que empurra a maioria para as dificuldades, ao mesmo tempo que garante privilégios para uma pequena minoria.
Lutas contra um aumento do custo de vida cuja factura sobra sempre para os mesmos, lutas por salários, pela educação, habitação, por direitos, pela paz e contra a loucura da guerra.
Lutas que expressam indignação, mas também resistência e esperança na construção de uma vida melhor.
Cada avanço nessas lutas dá mais força à luta dos trabalhadores e da juventude em Portugal.
Assim como a grande, grande vitória dos trabalhadores em Portugal, com a derrota do Pacote Laboral, significa um elemento de esperança e confiança para todos os trabalhadores que hoje estão em luta em diversos países.
Mesmo em circunstâncias difíceis e perante uma correlação de forças desfavorável, com a força e a unidade dos trabalhadores, das populações e da juventude, é possível vencer.
No passado sábado, dezenas de milhar de pessoas saíram às ruas respondendo ao apelo da CGTP-IN, demonstrando a sua indignação e rejeição a uma política que em Portugal é levada a cabo pelo Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL, e a cumplicidade do PS.
Ontem mesmo, no seguimento de meses de luta, mais uma vez saiu à rua a luta pelo direito à Habitação, um problema transversal na sociedade que está e deve estar cada vez mais associada à luta pelos salários e contra o aumento do custo de vida.
A habitação é um direito, e um direito nas mãos da banca, dos fundos imobiliários e da especulação nunca poderá ser concretizado.
Quem luta quer respostas e soluções para as suas vidas, quem governa quer desvio de atenções e pretextos para a violência.
Submissão aos grupos económicos, propaganda e provocação, é esta a matriz da política de direita.
Por mais desculpas que agora peça, a verdade é que um alto responsável da Administração Pública, com responsabilidades directas na política pública de habitação, verbalizou o que vai na cabeça do Governo.
Mas que mais sacrifícios ainda quer o Governo que a juventude faça?
Não basta os 250 mil jovens desempregados?
Não lhes basta que 70% do emprego criado seja precário?
Não basta que a imensa maioria dos jovens ganhem o salário mínimo e que estejam na casa dos pais até os 30 anos?
Não lhes basta que milhares e milhares de jovens com qualificações académicas e profissionais emigrem à procura de uma vida melhor que o País lhes nega?
É por acharem que é pouco que queriam impor o Pacote Laboral para dar cabo do resto?
Tenham vergonha, da vossa boca não sai uma única palavra de indignação pelos lucros históricos dos grupos económicos, não há um espanto pelos 14 milhões de euros de lucros por dia da banca, nem uma palavra perante os 10% mais ricos deterem 40% de todo o imobiliário em Portugal, nem uma palavra para os estrangeiros endinheirados que cá compram as casas, encontram testas de ferro para os seus negócios e ainda recebem 2 mil milhões de euros em benefícios fiscais.
Os nossos sacrifícios estão todos nos vossos bolsos.
Não aceitamos um País onde metade dos trabalhadores ganha até mil euros brutos por mês, onde 50% dos reformados recebe pensões até 500 euros, um País onde a pobreza atinge quem trabalha e 300 mil crianças.
Damos combate a um Orçamento do Estado que é um frete ao grande capital e um desastre para o País.
Sigam o dinheiro e vejam a quem serve o Orçamento do Estado, sigam o dinheiro e verão por que razão o Chega e a IL, para lá das simuladas oposições, estão todos contentes pelo frete do PS e a sua viabilização do OE.
Sigam o dinheiro e verão quem são os que ganham com uma política e um OE feito à sua medida.
Portugal não precisa nem pode continuar neste desastroso caminho de injustiça e desigualdade, Portugal não pode entregar a maior empresa nacional, a maior exportadora, não pode entregar a TAP ao capital alemão.
A TAP está a ser vendida a custo zero, a TAP está a ser comprada outra vez com o próprio dinheiro da TAP.
Um escândalo, um crime económico e um atentado contra a soberania.
Um crime, um erro, um desastre que não toleramos e que é urgente parar.
Travar este golpe é também defender a soberania e não esquecemos o que significa ainda hoje o crime com o encerramento da refinaria de Matosinhos, um desastre ainda maior quando se prepara um novo golpe que pode levar a colocar nas mãos da Moeve agora a única refinaria do País, em Sines.
Portugal não é uma base dos EUA e da NATO, não é uma província submissa e às ordens de Bruxelas, Portugal é um País soberano e independente.
É preciso derrotar o Governo, mas isso não basta, é preciso derrotar a política que é do Governo mas que está muito para lá do Governo, e é preciso construir a alternativa que se impõe, dos salários, pensões, direitos, serviços públicos, habitação, saúde, educação, cultura, paz e cooperação, a alternativa que nunca virá de quem apoia e viabiliza a desastrosa política em curso.
A luta é o caminho da vitória, essa luta que tem de se intensificar, pelos salários e o fim da precariedade.
Por uma casa para viver, pelo aumento das pensões e reformas, pela rede pública de creches, para salvar o SNS, pela escola pública e contra as propinas, uma luta que faça frente ao roubo que está em curso com o brutal aumento do custo de vida, contra as injustiças e as desigualdades.
Que ninguém troque casas para viver, escolas, hospitais, professores, cultura, médicos, salários, creches, pensões, saúde, pelo militarismo, que ninguém abdique da paz e a troque pela loucura da guerra.
Cá estamos com uma imensa alegria de viver e de lutar, cá estamos solidários com os povos, aqui estamos solidários com o povo sarauí e o direito à auto-determinação, aqui estamos pelo fim do genocídio e pelo Estado da Palestina, aqui estamos com Cuba socialista, pelo fim do bloqueio e da escalada de agressão e ameaças dos EUA, aqui estamos a poucas horas de conhecer o resultado da segunda volta das eleições no Brasil, solidários com o povo brasileiro e com as suas forças democráticas e progressistas.
Por essa Europa e esse mundo fora, povos lutam por salários, direitos e paz, pela vida melhor a que têm direito.
Nessa luta pela construção de uma nova sociedade de justiça e igualdade contam com o PCP.
Viva a amizade e a cooperação entre os povos!
Viva a solidariedade internacionalista!
Viva a Paz!







