Intervenção de Paula Santos na Assembleia de República

O Governo está deslumbrado com a sua propaganda, vive num mundo à parte

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Fica tão deslumbrado com a sua própria propaganda, que vive num mundo à parte, que não tem qualquer correspondência com a vida. 

Diz que a redução do IRC é para valorizar salários. Então porque é que isso não acontece? Os salários continuam baixos (metade dos trabalhadores tem um salário até mil euros), e o que está a atingir valores recorde são os lucros dos grupos económicos - só a GALP nos primeiros nove meses deste ano já vai em 1500 milhões de euros de lucro, mais 54% do que no período homólogo. Não atire areia para os olhos, a redução do IRC é para aumentar os lucros dos donos disto tudo. 

Desça ao País real, daqueles que por mais contas que façam, o salário e a pensão não chegam para pagar a renda da casa, a luz, o gás, pôr comida na mesa. 

Daqueles que sempre cumpriram, que pagaram a renda sem atrasos e agora a paga é a porta da rua; daqueles que regressaram à casa dos pais porque o valor da renda é o dobro do salário, ou daqueles que depois de uma vida inteira de trabalho ficam condenados a viver num quarto. É a total precarização da vida.

É este o resultado das suas opções políticas, apoiadas por IL e CH.

Em vez de resolver o problema da habitação, anda à procura do confronto, e responde com a força, quando na verdade é o Governo que não está a cumprir a lei quando limita e põe em causa o direito de manifestação e quando nega o direito à habitação.

Quando o parque habitacional público ronda os 2%, um dos mais reduzidos na Europa, o que propõe o Governo? Cortar no investimento, incentivar a especulação, alienando património público, atribuir benefícios fiscais a quem coloca uma renda de 2300 euros, aplicando uma taxa de IRS inferior à taxa do 1.º escalão do IRS, que é de 12%. Diz que há mais construção, mas são habitações de luxo inacessíveis para a maioria

A questão é se vai insistir nesta política desastrosa, que nos trouxe até aqui e que só vai agravar os problemas.  É que com as suas opções, os preços das casas vão continuar a aumentar, as famílias serão expulsas de casa e os bairros de habitações precárias vão crescer.

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